Durante sua
homilia, o Pontífice comentou as leituras da liturgia do dia que
“apresentam-nos a compaixão de Deus, a sua paternidade, que se revela
definitivamente em Jesus” e assinalou que “somente o encontro com Jesus dá ao
homem a força para confrontar as situações mais graves”. Além disso advertiu
acerca do risco de cair em uma “espiritualidade da miragem” e em “habituais da
graça”.
O Santo
Padre citou o povo hebreu deportado a Babilônia e afirmou: “A sua paternidade
abre-lhes um caminho desimpedido, um caminho de consolação depois de tantas
lágrimas e tantas amarguras. Se o povo permanecer fiel, se perseverar na busca
de Deus mesmo em terra estrangeira, Deus mudará o seu cativeiro em liberdade, a
sua solidão em comunhão: e aquilo que o povo semeia hoje em lágrimas,
recolhê-lo-á amanhã com alegria”.
“O crente é
uma pessoa que experimentou na sua vida a ação salvífica de Deus. E nós, pastores,
experimentamos o que significa semear com fadiga, por vezes em lágrimas, e
alegrar-se pela graça duma colheita que sempre ultrapassa as nossas forças e as
nossas capacidades”, acrescentou.
“Jesus é o
Sumo Sacerdote grande, santo, inocente, mas ao mesmo tempo é o Sumo Sacerdote
que tomou parte nas nossas fraquezas e foi provado em tudo como nós, exceto no
pecado. Por isso, é o mediador da nova e definitiva aliança, que nos dá a
salvação”.
Em seguida,
o Papa disse: “O Evangelho de hoje fala da cura do cego do Jericó, Bartimeu,
foi libertado graças à compaixão de Jesus. Uma passagem através da qual Jesus
se comove pelo seu pedido, se interessa pela sua situação. Não se contenta em
dar-lhe uma esmola, mas quer encontrá-lo pessoalmente”.
“Não lhe dá
instruções nem respostas, mas faz uma pergunta: ‘Que queres que eu faça?’.
Poderia parecer uma pergunta inútil: que poderia um cego desejar senão a vista?
E, todavia, com esta pergunta feita ‘cara a cara’, de maneira respeitosa, Jesus
manifesta que deseja escutar as nossas necessidades”.
O Pontífice
sublinhou: “Deseja um diálogo com cada um de nós, feito de vida, de situações
reais, que nada exclua diante de Deus. Depois da cura, o Senhor diz àquele
homem: ‘A tua fé te salvou’. Em efeito, somente o encontro com Jesus dá ao
homem a força para enfrentar as situações mais graves”.
“Os
discípulos de Jesus, isto é, os cristãos, estão chamados a pôr o homem em
contato com a Misericórdia compassiva que salva”.
Continuou:
“Quando o grito da humanidade se torna, como o de Bartimeu, ainda mais forte,
não há outra resposta senão adotar as palavras de Jesus e, sobretudo, imitar o
seu coração. As situações de miséria e de conflitos são para Deus ocasiões de
misericórdia. Hoje é tempo de misericórdia! ”.
Francisco
explicou que “existem algumas tentações para quem segue Jesus. O Evangelho de
hoje põe em evidência pelo menos duas. Nenhum dos discípulos pára, como faz
Jesus. Continuam a caminhar, avançam como se nada tivesse acontecido. Se
Bartimeu é cego, eles são surdos: o seu problema não é problema deles. Pode ser
o nosso risco: face aos contínuos problemas, o melhor é continuar para diante,
sem se deixar perturbar. Desta maneira, como aqueles discípulos, estamos com
Jesus, mas não pensamos como Jesus”.
Pois “estão
dentro do seu grupo, mas perdem a abertura de coração, perdem a admiração, a
gratidão e o entusiasmo e corre-se o risco de tornar-se ‘consuetudinários da
graça’. Podemos falar d’Ele e trabalhar para Ele, mas viver longe do seu
coração, que Se inclina para quem está ferido”, expressou o Santo Padre.
Esta é a
tentação de uma “’espiritualidade da miragem’: podemos caminhar através dos
desertos da humanidade não vendo aquilo que realmente existe, mas o que nós
gostaríamos de ver; somos capazes de construir visões do mundo, mas não
aceitamos aquilo que o Senhor nos coloca diante de olhos. Uma fé que não sabe
radicar-se na vida das pessoas, permanece árida e, em vez de oásis, cria outros
desertos”, destacou.
O Pontífice
ainda disse em sua homilia que “existe uma segunda tentação: cair numa ‘fé de
tabela’. Podemos caminhar com o povo de Deus, mas temos já a nossa tabela de
marcha, onde tudo está previsto: sabemos aonde ir e quanto tempo gastar; todos
devem respeitar os nossos ritmos e qualquer inconveniente os perturba. Corremos
o risco de nos tornarmos como ‘muitos’ do Evangelho que perdem a paciência e
repreendem Bartimeu. Mas Jesus, pelo contrário, quer incluir, sobretudo quem
está relegado para a margem e grita por Ele”.
As últimas
palavras do Papa estiveram dedicadas ao agradecimento aos participantes do
Sínodo:
“Agradeço-vos
pela estrada que compartilhámos tendo o olhar fixo no Senhor e nos irmãos, à
procura das sendas que o Evangelho indica, no nosso tempo, para anunciar o
mistério de amor da família. Continuemos pelo caminho que o Senhor deseja.
Peçamos-Lhe um olhar são e salvo, que saiba irradiar luz, porque recorda o
esplendor que o iluminou. Sem nos deixarmos jamais ofuscar pelo pessimismo e
pelo pecado, procuremos e vejamos a glória de Deus que resplandece no homem
vivo”, concluiu.
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